A última postagem aqui foi dia 25 de abril.
Hoje é dia 07 de junho.
No meio disso tudo, teve um 24 de maio.
No finzinho de abril, tava rolando uma seleção pra assistente de produção executiva numa produtora de cinema, que eu acreditava ter chances seríssimas de conseguir a vaga. No fim, não consegui.
No começo de maio, o Hugo e o Isidoro foram me visitar em PoA. ficamos 3 dias na Cidade Baixa e eu vou me limitar a definir Porto Alegre como "mágica", porque eu já usei todos os adjetivos possíveis.
Durante o mês de maio, o desespero aumentou, a angústia aumentou, a tristeza, a nhaca, a preguiça da vida, o sabor do fracasso, tudo só crescia. Mas, de certa forma, eu conseguia desligar essas nóias olhando os cachorros da Redenção ou as ondinhas nos dias de vento no Gasômetro. Tava ruim, mas tava bom.
O dia das mães foi estranhíssimo, principalmente porque minha mãe evitava falar comigo no telefone, porque era só ela falar "alô" que eu me afogava de chorar.
Lá pelo dia 15, eu não obtinha resposta de nada nem de ninguém, diga lá de um emprego. Comecei a cogitar ter que voltar pra SP.
No dia 20, eu completei 3 meses morando no RS. Como presente, recebi o sutil convite de me retirar da casa da minha tia, e voltar pra casa da minha mãe, em SP.
No dia 21, eu fui no Morro de Santa Tereza pra ver o Gigante de cima e o Guaíba quase inteiro. Curti que nem criança o passeio no 195-2: TV. Andei pelo Centro Histórico quase inteiro. Fiquei horas no Gasômetro e quase alaguei um banco na hora do pôr-do-sol, de tanto choro. Comi o churros mais gostoso da minha vida, andei a Rua dos Andradas quase inteira também, com certeza fiquei desidratada pra caralho. Queria pegar cada pedacinho da minha PoA, queria virar mendiga e ir morar na rua, só por estar lá. Quis tudo, não tive nada.
No mesmo dia 21, minha irmã providenciou minha passagem de volta pra SP. Eu acreditei mesmo que eu nunca ia ter uma passagem de volta pra SP. Passagem pra visitar eu teria várias. Passagem pra voltar a morar aqui, eu não queria ter nenhuma. Não queria, mas tive.
No dia 24, eu desembarquei em Guarulhos com uma mala 3 kilos mais pesada do que fui.
Acho que nas primeiras 48 horas, o gás de matar as saudades da minha família tava tão mais grande que o peso que vou falar no próximo parágrafo não tinha chegado ainda.
Aí, não sei ao certo quando ele chegou. Talvez semana passada, não sei MESMO.
Eu não consigo me arrepender de ter ido, de forma nenhuma. Eu tive dias extremamente tristes longe da minha família e dos meus amigos. Mas incrivelmente, eu precisava de pouco pra ficar feliz. Eu tava LÁ, onde eu sempre quis estar. De uma forma bem torta, é verdade, morando numa cidade há 70km de Porto Alegre, meio que ~de favor~ na casa da minha tia, mas porra, eu tava lá.
E quando eu voltei pra cá, alguns dias depois, a ficha caiu: meu maior sonho deu errado.
Eu não consegui realizar a coisa que eu mais quis, durante a vida inteira.
Eu meio que não sabia o que fazer, quando voltei pra cá. Tudo o que eu sempre quis não está aqui. Mas eu estou aqui.
E, de novo, tudo o que eu mais quero tá há 1500km de distância de mim. DE NOVO.
E eu não posso fazer tudo pensando que no futuro vou me mandar pra Porto Alegre, porque eu não sei se eu vou.
De novo, eu não consigo me arrepender de ter ido.
Mas fico me matando, querendo saber porque deu errado.
E o que eu vou planejar agora? E eu vou viver em função de quê?
Meu maior sonho deu errado. Como que faz pra seguir a vida em frente agora?
Eu sou extremamente agradecida a todo mundo que mei que comemorou por eu estar de volta, porque sentia saudade de mim. Eu sentia saudade de tudo e de todo mundo também.
Mas essa tecla continua batendo na minha cabeça, e eu acho que vai bater por um longo tempo: meu maior sonho deu errado, como que segue a vida agora?
Eu vou sonhar com o que? Eu vou querer o que?
Eu ainda não sei. Talvez eu nunca saiba.
Mas só quero, no mínimo, parar de chorar até soluçar toda noite, porque meu maior sonho deu errado.
Obrigada a todos que torceram por mim, que me liam aqui, que comentavam. Obrigado mesmo.
Esse blog acabou.
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